Convite ao Debate: o que querem os novos queijeiros de São Paulo?

Heloisa Collins Consumidor, Destaque, Notícias, Produtor 2 Comments

O Caminho do Queijo Artesanal Paulista existe para mostrar que São Paulo tem uma energia queijeira criativa e de excelente qualidade. Para os que ainda não estão familiarizados  com esse grupo queijeiro, vale a pena consultar link recentemente divulgado pelo Portal.

Como grupo, queremos reconhecimento do nosso trabalho e uma interação saudável e colaborativa com outros grupos e outras associações queijeiras. Queremos apoio oficial e extra oficial. Nossas ações são uma combinação da necessidade de demonstrar nossa capacidade queijeira e desejo de atender às expectativas de nossos clientes. Queremos orientar as pessoas a conhecer melhor o que comem e a preferir queijos artesanais a queijos industrializados.

E também atender sua ânsia por novidades. Afinal, vivemos numa época marcada pela extrema variedade de tendências, que muitas vezes se chocam e outras vezes se completam. Um bom exemplo é a valorização das práticas artesanais tradicionais combinadas ao forte interesse por queijos novos.

Queremos que nossos produtos sejam inquestionavelmente reconhecidos como artesanais, visto que são feitos a mão, acompanhados em sua maturação um a um, elaborados com leite 100% saudável e natural, destinado a uma produção limitada.
Queremos também que a comunidade queijeira se informe sempre e cada vez mais sobre os métodos utilizados na produção dos queijos paulistas registrados e aprovados no SIM de seus municípios, no SISP, no SISBI ou no SIF, de modo que tenham claros os detalhes e procedimentos  técnicos adotados e possam assim compreender a força artesanal paulista. Na verdade queremos que os diferentes selos de inspeção tenham todos o mesmo valor e as mesmas permissões no território nacional.

Queremos poder decidir sobre o nome de nossos queijos a partir da principais famílias queijeiras e não a partir dos nomes de queijos estrangeiros. Não queremos batizar um queijo  como “tipo” isto ou aquilo. O prefixo “tipo” é colonizador, tira do queijeiro seu direito de nomear sua criação.

Queremos mais liberdade para os métodos e aceitamos maior responsabilidade pelos produtos. Se a fiscalização tem por missão proteger a saúde do consumidor, ela deveria ser mais criteriosa na sanidade do produto e dar aos queijeiros mais opções para montar seus procedimentos e métodos de produção.
Evidentemente há regras básicas e obrigatórias para a fabricação artesanal de queijos saudáveis. Uma delas é a sanidade do leite, que deve ser livre de elementos contaminantes. Outra é um ambiente impecavelmente limpo para a prática queijeira.

Por outro lado, há um leque infinito de práticas válidas, antigas ou modernas, muitas das quais são proibidas apenas porque há uma ignorância generalizada sobre os efeitos de cada uma sobre o queijo.

De fato, por ser burocrática, lenta e por não se ver como uma entidade orientadora, a inspeção brasileira estuda pouco. Ela não está informada sobre os resultados de pesquisas modernas que podem contribuir para a fabricação artesanal de queijos melhores e mais seguros.

Em nossa opinião,  a inspeção deveria ganhar uma função mais orientadora e menos avaliativa ou punitiva e passar a ser uma assídua frequentadora de bons cursos destinados a queijeiros artesanais. Afinal, esse é o local onde as práticas inadequadas podem e serão transformadas, pois só alteramos nossas práticas quando estamos genuinamente interessados em alterá-las. Quando procuramos um bom curso, estamos abertos para aprender. Um bom curso é portanto um excelente lugar para o diálogo, a aprendizagem e a troca de informações. Quem inspeciona deveria estar muito interessado nisso tudo e aberto para aprender junto com o queijeiro inspecionado.

Não creio que haja tantas diferenças entre o que querem os queijeiros paulistas e o que desejam os queijeiros de outras regiões do país. O que você acha?

Se eu estiver certa em dizer que há um grande núcleo de reivindicações comuns a todos os grupos queijeiros, é hora de união e colaboração para a formalização de normas e orientações justas, suficientes e respeitosas das práticas queijeiras que chegam a bons resultados.

Muitos são os caminhos da excelência. Na diversidade com qualidade, todos ganham. Vamos lá?

 

Sobre Heloisa Collins

Heloisa CollinsÁvida pesquisadora e uma expert em queijos de cabra, a mestre-queijeira Heloisa Collins desenvolve receitas com acentos de várias nacionalidades e traz aos brasileiros diferentes expressões da cultura de comer queijo de cabra pelo mundo. Desde que decidiu dedicar-se à criação e ao desenvolvimento de derivados de leite, há mais de 20 anos, Heloisa testou os mais variados fermentos, mofos e receitas, até chegar aos 12 queijos finos que hoje compõe o portfólio do Capril do Bosque.

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Comments 2

  1. Olá bom saber q sp tem seu núcleo queijeiro da região
    Como moradora paulistana gostaria de saber onde posso fazer curso de queijos artesanais na capital
    Moro no bairro da Água Branca
    Agradeço pela informação

    1. Mineirinho

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