Personalidade: Ricardo Boscaro

Assim como todo pequeno e micro empreendedor, os produtores de queijo artesanal, em Minas e no Brasil, enfrentam grandes problemas para tirarem seus negócios dos papéis, valorizarem seus produtos, manterem lucratividade e garantirem a perenidade de seus empreendimentos.

Em meio às dificuldades, ações que facilitem qualquer etapa do processo de produção queijeira merecem destaque. Caso de um novo projeto de consultoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Minas Gerais – Sebrae MG, denominado Programa de Cultura da Cooperação (PCC),  que firmou parcerias com as associações de produtores de queijo em Minas Gerais. O Portal do Queijo conversou sobre a iniciativa, com exclusividade, com Ricardo Augusto Boscaro de Castro, um dos consultores de Agronegócio do Sebrae. Confira nesta entrevista!

 

Como surgiu a ideia de fechar uma parceria de consultoria do Sebrae com as associações produtoras de queijo?

Fomos demandados em 2013, pela Associação dos Produtores de Queijo da Canastra – Aprocan, para verificar a possibilidade de um trabalho com eles. Após uma análise inicial do território, do mercado, da realidade e necessidades dos produtores locais, percebemos um espaço importante para o trabalho do Sebrae, complementando a atuação das demais instituições.

 

E qual foi o cenário encontrado?

Os produtores estavam em evolução em termos de qualidade, mas tinham muita dificuldade em agregar valor ao produto, já que comercializavam queijo fresco através de intermediários (o que ainda é a realidade da maioria). Em 2016, iniciamos também o trabalho com a Associação dos Produtores de Queijo do Serro.

 

Esta parceria resultou no Programa de Cultura da Cooperação – PCC. Desde quando ele existe e em que consiste exatamente esta iniciativa?

A Cultura da Cooperação é uma ação inicial, com duração aproximada de 18 meses, que objetiva o fortalecimento do grupo de produtores em torno da sua associação. Acreditamos que somente conseguimos avançar a partir do comprometimento dos produtores em relação aos resultados propostos e do estabelecimento de uma relação de confiança entre eles.

 

Qual é o objetivo deste programa cooperativo?

A partir da evolução do grupo com o andamento da Cultura da Cooperação, iniciamos outras ações que impactarão diretamente no resultado desejado. A lógica utilizada para os projetos de queijo artesanal é o reposicionamento do produto no mercado através da disseminação da identidade da região, das histórias dos produtores e de suas tradições. Ou seja, agregar valor ao queijo além do produto em si. Neste caso, a origem faz toda a diferença. A Cultura da Cooperação é uma ação de um projeto maior.

 

Com qual regularidade e por quanto tempo ocorrem os encontros do PCC?

Um encontro por mês.

 

O que ocorre nos encontros, isto é, como, efetivamente, se dá a participação ou consultoria do Sebrae MG neste processo?

Dentro do processo da cultura da cooperação, são realizadas exposições orais, dinâmicas em grupo ou individuais e atividades lúdicas, sempre buscando que cada participante se reconheça pertencente ao grupo e que passe a desempenhar um papel de ator do processo de crescimento e consolidação da associação.

 

Acredita que o programa já está gerando bons resultados aos produtores?

Sim, com certeza. Na Região do Queijo da Canastra, a Cultura da Cooperação foi fundamental para que a associação chegasse no estágio em que se encontra hoje. Na Região do Serro, os avanços são visíveis e o grupo está em fase de consolidação.

 

Qual a expectativa final em relação ao programa vs. produtores?

A expectativa é que tenhamos, no Serro, os mesmos avanços conseguidos na Região do Queijo da Canastra: uma associação forte, que represente na prática o interesse dos produtores e que eles possam ser os protagonistas do seu crescimento. Uma região unida pelo queijo, com uma identidade forte sendo disseminada junto ao público comprador e consumidor.

 

Como você vê a produção de queijo em Minas?

O mercado do Queijo Minas Artesanal tem evoluído muito nos últimos três anos. O produto foi adotado por chefs e lojistas em todo o Brasil. O queijo tem melhorado de qualidade e inovações estão surgindo. Percebemos no estado um movimento crescente dos produtores querendo se organizar para se inserirem nesse promissor mercado. O queijo artesanal mineiro está passando de commodity para um produto especial, voltado para a gastronomia, seja como produto final ou como ingrediente. A legislação tem avançado também, permitindo, mesmo com todas as dificuldades ainda existentes, que o produto possa ser vendido para todo o país, de forma legal.

 

Ainda há muito a ser modificado?

Ainda faltam alguns passos, como maior organização dos produtores, modernização dos aspectos legais, bem como políticas públicas que facilitem a adequação da produção para atender os aspectos sanitários. A grande massa de produtores ainda se encontra fora do mercado formal e a sua inserção neste é o maior desafio atual.

 

O que achou desse projeto? Deixe seu comentário. Confira aqui como algumas mulheres têm sido protagonistas do empreendedorismo queijeiro em todo o Brasil .

Sobre Ícaro Batista

Ícaro BatistaBlogueiro desde 2010 e jornalista desde 2016, atualmente é fundador e editor-chefe de um site homônimo de novidades da economia criativa. Também é titular da Coluna Cool, do site Culturaliza BH, na qual escreve as últimas novidades e tendências culturais e criativas de BH.

Site: icarobatista.com
Instagram: @IcaroBatistaSite
Facebook: @IcaroBatistaSite

Compartilhe esse post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *