Etiqueta de caseina Queijo Canastra

Entenda como funciona a etiqueta de caseína para combater a falsificação nos queijos

Paulo Matos Consumidor, Notícias Leave a Comment

Inicialmente gostaria de agradecer a todos os leitores e a equipe do Portal do Queijo pelo trabalho realizado e pelo convite para trocar algumas experiências e “causos” sobre o ambiente queijeiro do país. Para começar essa coluna, optei por falar de uma “nova” ferramenta que começou a ser utilizada no mercado de queijos artesanais brasileiros:  a etiqueta de caseína.

Primeiramente acho conveniente traçar um histórico da etiqueta em si e o que ela é efetivamente. A etiqueta de caseína foi desenvolvida pelos holandeses, em 1919, atendendo a uma exigência do governo daquele país para o desenvolvimento de uma ferramenta que permitisse a “implantação” de uma marca nacional nos queijos produzidos para fins de exportação.

Mas afinal de contas, o que é a etiqueta de caseína? A caseína é uma proteína láctea do próprio leite, que através da tecnologia desenvolvida em 1919 pôde ser separada e solidificada de forma a ser moldada na forma de uma etiqueta. Por se tratar de uma proteína láctea natural, a mesma adere ao queijo sem interferir no seu sabor e no seu odor. Como componentes complementares, ela pode ter a adição de glicerol, visando facilitar sua aplicação, além de corantes naturais para a impressão de uma determinada marca na etiqueta.

 

Mas por quê utilizar a etiqueta nos queijos artesanais brasileiros? Durante um convênio firmado na década passada entre os governos do Brasil, Minas Gerais e França foram desenvolvidas ações de consolidação e de desenvolvimento de três cadeias produtivas de queijos artesanais de Minas Gerais, a saber:  a região do Serro, da Serra do Salitre e da Canastra.

Pra banir a falsificação

Este convênio foi fundamental para a troca de experiências entre os técnicos governamentais brasileiros e franceses e entre os produtores mineiros e franceses. Além das questões de organização da cadeia produtiva, da adequação de legislação e da disseminação das boas práticas de produção, um problema grave que ameaçava essas cadeias produtivas era a falsificação de queijos e rótulos (os famosos queijos Canastra de Araxá, queijo Canastra de Sergipe, entre outros).

Nessas trocas de experiências os produtores mineiros tiveram contato com a etiqueta de caseína, e perceberam que ela poderia ser a grande diferença para prevenir a falsificação e atestar a qualidade e rastreabilidade do queijo. Com isso em mente a Associação dos Produtores de Queijo Canastra (APROCAN) define em assembleia que iria utilizar a etiqueta nos seus queijos, visando proteger a Indicação de Procedência da Canastra. Entretanto, para nossa surpresa, e apesar de ser utilizada com sucesso desde 1919, a etiqueta de caseína não era homologada pelo governo brasileiro.

Dessa forma, com a parceria da Kaasmerk-Matec (produtora das etiquetas) e da Globalfood (representante da primeira na América Latina), a APROCAN conseguiu a homologação da etiqueta para todo o território nacional junto a ANVISA e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, nos anos 2015-2016.

 

Código de rastreio

Afinal a etiqueta é um grande diferencial? De forma direta: não. A etiqueta em si, funciona como qualquer outra etiqueta, seja ela de papel, metalizada ou de plástico. O grande diferencial está no código de rastreio impresso na mesma. Esse código, que deve ser desenvolvido por cada usuário é que vai garantir que o consumidor possa identificar quem produziu e quando foi produzido o queijo que ele está consumindo.

No caso da Região do Queijo da Canastra, a APROCAN optou por utilizar oito dígitos, sendo que os três primeiros identificam o produtor e os cinco últimos identificam individualmente cada peça de queijo. O produtor que utiliza esta etiqueta deve atender não só aos critérios de segurança alimentar como, também, os critérios de produção tradicional identificados e protegidos pela Indicação de Procedência. Portanto, não basta utilizar a etiqueta, deve-se fazer jus ao seu uso.

Espero que possa ter contribuído para esclarecer um pouco sobre a etiqueta de caseína e sua importância e em breve retorno com outro assunto do mundo queijeiro. Saudações “queijísticas”!

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