Em meio às paisagens únicas da Ilha do Marajó, no Pará, onde búfalos dividem espaço com campos alagados, rios e uma cultura profundamente ligada à natureza, um casal vem ajudando a fortalecer e projetar nacionalmente um dos queijos mais emblemáticos do Brasil: o tradicional queijo do Marajó tipo creme.
À frente da Fazenda São Victor, localizada em Salvaterra, Cecília Pinheiro e Marcus Pinheiro unem tradição familiar, conhecimento técnico e dedicação ao campo para preservar e valorizar um dos maiores patrimônios gastronômicos da Amazônia brasileira.
Marcus Pinheiro é formado em Agrobusiness pela LSU (Louisiana State University), nos Estados Unidos, e realizou intercâmbio na França voltado ao queijo Comté e à pecuária leiteira Montbéliarde. Já Cecília Pinheiro é formada em Administração e especialista em Engenharia de Produção. Juntos, encontraram na produção artesanal do queijo do Marajó não apenas uma atividade econômica, mas uma missão ligada à preservação da identidade cultural marajoara.
A relação do casal com o queijo nasceu ainda na infância, através da tradição familiar e da convivência direta com a realidade do campo na Ilha do Marajó. Segundo eles, produzir queijo artesanal vai muito além da técnica: significa preservar memória, território, cultura e os saberes transmitidos entre gerações.
Na Fazenda São Victor, o trabalho é desenvolvido de forma artesanal e cuidadosa, respeitando o tempo do leite, os animais e as características naturais da região. O queijo produzido ali carrega a influência direta dos pastos naturais, da água, do clima e do leite bubalino, fatores que conferem personalidade única ao produto.
As búfalas são criadas soltas em pastagens naturais diversificadas, em um sistema que prioriza rusticidade, bem-estar animal e qualidade da matéria-prima. Esse processo exige sensibilidade e experiência do mestre-queijeiro, que interpreta diariamente o leite através do olfato, da textura e do comportamento da massa durante a produção.
Para Cecília e Marcus, produzir queijo artesanal é buscar diariamente uma verdadeira obra-prima. O trabalho envolve dedicação ao território, aos animais, à cultura marajoara e ao fortalecimento de um queijo genuinamente brasileiro.
Ao longo dos anos, a Fazenda São Victor conquistou importantes marcos para o setor queijeiro da região Norte. O casal foi pioneiro na obtenção do Selo Arte para o queijo do Marajó São Victor, ampliando mercados e permitindo a comercialização legal do produto em todo o território nacional.
Eles também participaram do processo que resultou na conquista da Indicação Geográfica do queijo do Marajó, em 2021, reconhecimento fundamental para proteger a origem, o saber-fazer e a identidade cultural do produto. Outro marco relevante foi o reconhecimento do queijo do Marajó como Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará.
Hoje, os queijos da Fazenda São Victor chegam a diferentes regiões do Brasil, conquistando consumidores que valorizam produtos artesanais, de origem e identidade própria. O casal também acumula premiações inéditas para a região Norte, reforçando o potencial e a excelência do queijo artesanal amazônico.
Mesmo diante de desafios como logística, burocracia e acesso ao mercado, Cecília e Marcus acreditam no crescimento contínuo do queijo artesanal brasileiro. Para eles, o consumidor moderno deseja conhecer cada vez mais a origem dos alimentos, quem produz e as histórias por trás de cada produto.
A trajetória do casal representa a força da tradição aliada à valorização do território e da autenticidade, elementos que fazem do queijo do Marajó um símbolo da riqueza gastronômica e cultural do Brasil.
Instagram: @queijodomarajofazendasaovictor
A série “Personalidade Queijeira – Destaques do Brasil”, do Portal do Queijo, homenageia profissionais e produtores que ajudam a construir, preservar e fortalecer a cultura queijeira brasileira.

