Da tradição herdada da mãe ao reconhecimento internacional, a produtora de Conceição do Mato Dentro faz do Queijo Dona Iaiá um símbolo de afeto, excelência e valorização do patrimônio queijeiro mineiro.
ESTELA MARES: PERSONALIDADE QUEIJEIRA | DESTAQUE BRASIL
Em um país onde o queijo artesanal representa muito mais do que um alimento, algumas histórias emocionam pela força das raízes familiares. É o caso de Estela Mares Simões de Carvalho, produtora da Fazenda São Jorge, em Conceição do Mato Dentro (MG), na tradicional Região do Serro, que transformou a paixão pelos queijos produzidos por sua mãe em um dos mais respeitados projetos de queijo artesanal do Brasil.
Formada em Ciências Contábeis pela UFMG e com pós-graduação em Gestão de Negócios e Controladoria, Estela construiu sua carreira profissional antes de decidir seguir um caminho completamente diferente. Após a aposentadoria, passou a dedicar-se integralmente à produção, maturação e comercialização dos queijos da família, ao lado da mãe, Dona Iaiá, e do esposo, Rafael.
Mais do que uma marca, o Queijo Dona Iaiá nasceu como uma homenagem à mulher que manteve viva uma tradição centenária.
“A vida inteira fui apaixonada pelos queijos da minha mãe, até que resolvi aprender este ofício.”
Um legado de quase 300 anos
Produzido na Fazenda São Jorge, o Queijo Dona Iaiá preserva o saber-fazer do Queijo Minas Artesanal da Região do Serro, patrimônio cultural transmitido ao longo de quase três séculos.
A receita permanece fiel à tradição: leite cru, sal, coalho e pingo, respeitando as técnicas que fizeram do queijo do Serro um dos mais reconhecidos do Brasil.
Dona Iaiá aprendeu a produzir queijo com seus pais e manteve a atividade durante décadas como forma de sustentar a família. Hoje, a terceira geração dá continuidade a esse legado, agregando novas técnicas de maturação sem abrir mão da identidade do produto.
Segundo Estela, preservar essa tradição vai muito além da fabricação.
“Fazer queijo é preservar a nossa história. Tem toda a dimensão emocional e afetiva que amamos tanto.”
A maturação que revela a identidade do Serro
Um dos grandes diferenciais da produção da Fazenda São Jorge está na maturação.
Os queijos permanecem entre 20 e 40 dias em ambiente com temperatura e umidade controladas, permitindo o desenvolvimento do fungo alimentício Geotrichum candidum, responsável pela característica casca florida que confere aromas e sabores ainda mais complexos.
O resultado é um queijo de casca levemente enrugada e quase crocante, acidez equilibrada, sabor de média intensidade e massa delicada, mantendo a identidade do tradicional Queijo Minas Artesanal enquanto apresenta novas possibilidades gastronômicas.
Para Estela, o terroir exerce papel fundamental nesse processo.
“O processo de maturação é resultado do clima, do relevo, da altitude e dos pastos nativos da região.”
Toda a produção segue as normas da Indicação Geográfica da Região do Serro, além de rigorosos procedimentos de higiene e boas práticas de fabricação, garantindo segurança alimentar e alta qualidade.
Reconhecimento dentro e fora do Brasil
O cuidado em cada etapa da produção rapidamente levou o Queijo Dona Iaiá aos principais concursos nacionais e internacionais.
Entre as conquistas estão:
- Medalha de Prata no Mondial du Fromage, em Tours (França), em 2019;
- Medalha de Prata no Mondial du Fromage, em Tours (França), em 2021;
- Medalha de Prata no 2º Mundial do Queijo do Brasil, em São Paulo;
- Medalhas de Ouro, Prata e Bronze no 6º Prêmio Brasil, em Florianópolis;
- Medalha de Ouro no Concurso Regional do Serro por votação popular (2018);
- Medalha Super Ouro no Concurso Sudeste, realizado em Cunha (SP), em 2024;
- Medalha de Prata no Concurso Internacional de Araxá (2024);
- Medalha de Prata no Araxá International Cheese Awards (2024);
- Medalhas de Prata e Bronze no Mundial do Queijo do Brasil (São Paulo, 2022).
As premiações consolidam o Queijo Dona Iaiá entre os grandes representantes da queijaria artesanal brasileira, levando o nome da Região do Serro para consumidores e jurados de diferentes países.
Muito além do queijo
A trajetória de Estela demonstra que inovação e tradição podem caminhar juntas.
Com formação em gestão, ela trouxe novos conhecimentos para fortalecer o negócio familiar, investindo na maturação dos queijos e ampliando o reconhecimento da marca, sem abrir mão dos ensinamentos recebidos da mãe.
Hoje, cada peça produzida na Fazenda São Jorge carrega não apenas quase 300 anos de história, mas também uma homenagem ao amor materno que deu origem ao nome Dona Iaiá.
É uma história de sucessão, dedicação e respeito ao patrimônio cultural mineiro — ingredientes que fazem do queijo muito mais do que um alimento: fazem dele memória, identidade e orgulho da queijaria brasileira.
Contato: WhatsApp (31) 99860-1204
Instagram: https://www.instagram.com/queijodonaiaia/
A série “Personalidade Queijeira – Destaques do Brasil”, do Portal do Queijo, busca apresentar profissionais que contribuem para o fortalecimento e valorização da cultura queijeira nacional.

