Celebrada internacionalmente, a data mobiliza produtores, maturadores, pesquisadores e apaixonados por queijo em defesa da valorização dos saberes tradicionais e da diversidade dos queijos artesanais. No Brasil, nomes como João Bello e Osvaldinho reforçam a importância de preservar essa cultura.
O dia 17 de outubro é uma data especial para quem acredita que o queijo é muito mais do que um alimento. É uma expressão da história, da cultura, do território e dos conhecimentos transmitidos entre gerações. Neste sábado, 17 de outubro de 2026, produtores, comerciantes, especialistas e consumidores celebram o Dia Internacional de Valorização dos Queijos de Leite Cru, conhecido mundialmente como Raw Milk Cheese Appreciation Day, com a hashtag #RawCheeseDay.
A celebração convida o público a conhecer a diversidade dos queijos elaborados com leite não pasteurizado, valorizar os produtores artesanais e reconhecer a importância de preservar métodos tradicionais de fabricação. A iniciativa também estimula degustações, encontros, conversas e ações de divulgação que aproximam os consumidores de quem produz esses alimentos.
Como surgiu o Dia Internacional dos Queijos de Leite Cru?
A iniciativa foi criada em 2015 pela Oldways Cheese Coalition, organização ligada à Oldways, entidade norte-americana dedicada à valorização de tradições alimentares. A proposta surgiu em parceria com representantes do universo queijeiro, incluindo produtores, importadores, comerciantes e apreciadores de queijos.
A primeira edição foi realizada em 18 de abril de 2015. Posteriormente, a celebração passou a ocorrer no terceiro sábado de outubro, calendário que reúne a comunidade queijeira internacional em torno da valorização dos queijos de leite cru.
A data tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre esses produtos, incentivar o consumo consciente, apoiar os pequenos produtores e destacar a relação entre o leite, o ambiente de produção, os animais, as técnicas de fabricação e a identidade de cada queijo.
Mais do que uma homenagem a uma categoria de alimentos, o #RawCheeseDay representa uma oportunidade de discutir a preservação do patrimônio alimentar e a continuidade de tradições que atravessaram gerações.
O que torna especiais os queijos de leite cru?
Os queijos de leite cru são produzidos com leite que não passou pelo processo de pasteurização. Quando fabricados com controle sanitário adequado e técnicas apropriadas, podem apresentar características sensoriais relacionadas à origem do leite, à alimentação dos animais, às condições ambientais e aos processos de fabricação e maturação.
A diversidade microbiana natural do leite pode contribuir para a complexidade de aromas, sabores e texturas. A influência desses fatores varia conforme o tipo de queijo, a região produtora, as práticas adotadas e as condições de maturação.
Isso ajuda a explicar por que queijos elaborados em diferentes territórios podem apresentar características tão particulares, mesmo quando compartilham técnicas tradicionais semelhantes.
É importante destacar que leite cru não significa ausência de cuidados. A segurança desses queijos depende de boas práticas de produção, higiene, controle sanitário, manejo dos animais e respeito às exigências legais aplicáveis. A valorização da tradição deve caminhar junto com a responsabilidade na produção e na comercialização.
Brasil: um patrimônio que atravessa gerações
No Brasil, os queijos artesanais de leite cru ocupam lugar importante na história da alimentação e na economia de inúmeras comunidades rurais.
Em Minas Gerais, os queijos artesanais de regiões como Alagoa, Araxá, Canastra, Mantiqueira de Minas ou Serro, entre tantas outras, expressam diferentes combinações de clima, pastagens, manejo, técnicas de fabricação e conhecimentos transmitidos entre produtores. Outras regiões brasileiras também mantêm tradições queijeiras próprias, com produtos que refletem suas condições naturais e culturais.
A produção artesanal representa uma fonte de renda para famílias rurais, movimenta economias locais e contribui para manter vivas práticas tradicionais. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relacionados à regularização, à fiscalização sanitária, à comercialização entre estados, ao acesso a mercados e ao reconhecimento das particularidades de cada produto.
A discussão sobre o leite cru, portanto, não se limita ao sabor. Ela também envolve políticas públicas, pesquisa científica, educação do consumidor e a construção de condições para que produtores tradicionais possam trabalhar com segurança, reconhecimento e sustentabilidade econômica.
A própria trajetória dos queijos artesanais brasileiros demonstra como tradição e conhecimento técnico podem caminhar juntos na busca por produtos de qualidade e maior valorização comercial.
João Bello: conhecimento e valorização da maturação
Entre as pessoas que contribuem para difundir a cultura dos queijos artesanais está João Bello, ligado ao universo da maturação e conhecido pelo trabalho desenvolvido com queijos de leite cru.
Sua trajetória queijeira começou no Instituto de Laticínios Cândido Tostes, onde cursou a formação técnica em laticínios na década de 1970. Anos mais tarde, aprofundou seus estudos sobre maturação, incluindo experiências com queijos Minas artesanais e visitas técnicas à França.
João desenvolve trabalhos de maturação que exploram diferentes condições de temperatura e umidade, além de técnicas como a lavagem de cascas e o uso de carvão. Entre os produtos associados ao seu trabalho estão os queijos Bello, Zenith, Manoel e Lísia.
A experiência de João Bello evidencia como o queijo artesanal pode se transformar em um campo de experimentação, estudo e descoberta, sem perder a conexão com a matéria-prima e com os produtores de origem.
A divulgação dos queijos de leite cru por profissionais e entusiastas como ele contribui para ampliar o repertório dos consumidores e estimular conversas sobre maturação, identidade, diversidade e qualidade.
Osvaldinho e a tradição do queijo de Alagoa
Outro nome ligado à valorização dos queijos artesanais brasileiros é Osvaldinho, da Queijo D’Alagoa-MG, empresa fundada por Osvaldo Martins de Barros Filho e dedicada à comercialização de queijos da região de Alagoa, no Sul de Minas Gerais.
Alagoa construiu sua identidade em torno da produção queijeira, atividade que integra a história e a economia do município. A tradição local está associada ao trabalho de famílias produtoras, ao conhecimento acumulado ao longo de gerações e às características próprias da região da Serra da Mantiqueira.
Ao longo de sua atuação, Osvaldinho tem utilizado a comunicação digital para aproximar produtores e consumidores, divulgar os queijos artesanais e destacar a importância de reconhecer a origem e a história de cada produto.
A publicação feita por ele em 17 de outubro, em referência ao Dia Internacional dos Queijos de Leite Cru, integra essa mobilização em defesa da valorização da cultura queijeira.
A iniciativa reforça a importância de aproveitar a data para dar visibilidade aos produtores, compartilhar informações e estimular o público a conhecer melhor os queijos elaborados segundo tradições artesanais.
SerTãoBras promove debate sobre os queijos de leite cru
As ações relacionadas à data também incluem iniciativas de organizações comprometidas com a valorização dos queijos artesanais. Entre elas está a SerTãoBras, associação que atua na defesa da cadeia agroalimentar artesanal brasileira, promovendo conhecimento, formação e articulação entre os diferentes participantes do setor.
Na segunda-feira, 19 de outubro, a entidade realizará uma live dedicada ao tema dos queijos de leite cru, dando continuidade às conversas e iniciativas relacionadas à celebração internacional.
Debates desse tipo são importantes para aproximar produtores, especialistas e consumidores, permitindo discutir aspectos técnicos da fabricação, características sensoriais, segurança dos alimentos, regulamentação e desafios enfrentados pelas pequenas queijarias.
A atuação da SerTãoBras também se insere em uma mobilização mais ampla pela valorização do queijo artesanal brasileiro. A entidade desenvolve ações de formação, promove intercâmbios e contribui para o debate sobre as condições necessárias à continuidade da produção tradicional.
A realização de encontros virtuais amplia o alcance dessas discussões e permite que pessoas de diferentes regiões participem, compartilhem experiências e conheçam melhor a diversidade da produção queijeira nacional.
Uma celebração que precisa durar o ano inteiro
O Dia Internacional dos Queijos de Leite Cru é uma oportunidade para reconhecer o trabalho de quem mantém viva uma tradição alimentar de grande relevância cultural e econômica.
A valorização desses queijos passa por conhecer sua origem, compreender as técnicas de fabricação, respeitar as particularidades de cada região e reconhecer o papel dos produtores que transformam o leite em alimentos com identidade própria.
Também depende de informação de qualidade, pesquisa, boas práticas sanitárias e políticas capazes de conciliar segurança dos alimentos, preservação cultural e viabilidade econômica para os pequenos produtores.
No Brasil, onde a produção artesanal está profundamente ligada à história de muitas comunidades rurais, essa discussão ganha importância especial. Cada queijo carrega elementos do território, do conhecimento de quem o fabrica e das condições que tornam aquela produção singular.
Neste 17 de outubro, a mensagem do #RawCheeseDay é um convite para conhecer, experimentar e valorizar os queijos de leite cru, reconhecendo que preservar essa cultura significa também apoiar as pessoas, as famílias e as comunidades responsáveis por mantê-la viva.
Viva os queijos artesanais brasileiros! Viva a tradição queijeira e todos aqueles que trabalham diariamente para preservar e valorizar esse patrimônio.
Portal do Queijo — informação, cultura e valorização da cadeia queijeira brasileira.


Excelente artigo que aborda a importância dos queijos de leite cru, pela ligação com toda uma vasta cadeia alimentar e que valoriza a origem e os produtores de fazenda.