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João Carlos Leite: uma liderança histórica na defesa do Queijo Canastra e do queijo artesanal brasileiro

Presidente da Aprocan, engenheiro agrônomo e produtor na Serra da Canastra, João Carlos Leite teve participação direta em marcos decisivos para a legalização, valorização e reconhecimento dos queijos artesanais de leite cru no Brasil | Personalidade Queijeira – Destaque Brasil

A história recente do queijo artesanal brasileiro passa, obrigatoriamente, pela atuação de lideranças que uniram produção rural, articulação institucional e defesa cultural. Entre esses nomes está João Carlos Leite, engenheiro agrônomo, produtor de queijo da Região da Serra da Canastra e presidente da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan).

Conhecido também como Joãozinho da Canastra, ele integra uma geração de produtores e representantes que ajudou a transformar o queijo artesanal de leite cru em pauta pública, econômica, sanitária, cultural e patrimonial no Brasil.

Da Canastra para uma luta coletiva por Minas Gerais

Um dos episódios mais marcantes de sua trajetória ocorreu no final dos anos 1990, quando João Carlos foi convidado pelo então secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Alysson Paulinelli, para integrar um grupo estratégico coordenado pela própria Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Naquele momento, João representava a Região da Serra da Canastra ao lado de lideranças das regiões do Serro e da Serra do Salitre. O objetivo era enfrentar um dos maiores desafios dos produtores mineiros: construir caminhos legais para a produção e comercialização dos queijos artesanais de leite cru.

O trabalho conjunto, apoiado por parceiros e instituições, resultou em um marco para Minas Gerais: a aprovação da Lei nº 14.185/2002, considerada uma das primeiras legislações estaduais voltadas à regulamentação do processo de produção do Queijo Minas Artesanal.

Aprocan, IPHAN, INPI e o fortalecimento da Canastra

A partir daquele movimento inicial, novas conquistas passaram a consolidar a Serra da Canastra como um dos territórios queijeiros mais reconhecidos do Brasil.

Em 2005, foi criada a Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan), entidade que se tornou referência na organização coletiva dos produtores e na defesa da identidade territorial do Queijo Canastra.

Poucos anos depois, em 2008, os modos de fazer do Queijo Minas Artesanal foram registrados como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 2012, o Queijo Canastra também conquistou o registro de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Esses reconhecimentos ajudaram a reposicionar o queijo artesanal mineiro: de produto historicamente marginalizado por entraves legais, passou a ser compreendido como patrimônio, expressão territorial e ativo econômico de grande relevância para o país.

Atuação nacional pelo queijo de leite cru

A atuação de João Carlos Leite também ultrapassou as fronteiras de Minas Gerais. Ele participou de um grupo estratégico no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em uma mobilização que contribuiu para a edição da Instrução Normativa MAPA nº 30/2013.

A norma abriu novas possibilidades para os queijos artesanais tradicionalmente elaborados com leite cru, especialmente ao permitir períodos de maturação inferiores a 60 dias, desde que comprovados por estudos técnico-científicos e atendidos os critérios sanitários exigidos.

Na sequência, João Carlos também acompanhou a mobilização nacional pela Lei do Selo Arte, instituída pela Lei nº 13.680/2018, que ampliou as possibilidades de comercialização interestadual de produtos alimentícios artesanais de origem animal.

Do patrimônio mineiro ao reconhecimento mundial

O conjunto dessas lutas encontrou um de seus momentos mais simbólicos em 2024, quando os Modos de Produção do Queijo Artesanal de Minas foram reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Para João Carlos, essa conquista representa o resultado de décadas de mobilização de produtores, associações, técnicos, instituições públicas e defensores da cultura queijeira mineira. Ao mesmo tempo, ele destaca que a caminhada ainda não terminou.

Atualmente, uma das principais frentes de atuação é a defesa de um sistema de inspeção sanitária adequado à realidade da produção artesanal no Brasil. Nesse contexto, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei nº 531/2024, que propõe um novo marco regulatório para a circulação, comercialização, fiscalização e inspeção de produtos alimentícios artesanais e dos estabelecimentos que os produzem.

Uma trajetória de representação

Além da atuação à frente da Aprocan, João Carlos Leite também foi cofundador da Associação Mineira do Queijo Artesanal (Amiqueijo) e da Associação Brasileira de Indicações Geográficas (Abrig), reforçando sua presença em agendas ligadas à valorização dos produtos de origem, à organização dos produtores e à defesa das identidades territoriais brasileiras.

Sua trajetória mostra que o queijo artesanal é muito mais do que um alimento. É cultura, economia rural, história familiar, identidade regional e instrumento de desenvolvimento para comunidades inteiras.

Na Serra da Canastra, João Carlos Leite segue como uma das vozes mais importantes na defesa do Queijo Canastra e de um Brasil que reconhece, protege e valoriza seus modos tradicionais de produzir.

Instagram: @queijodacanastra | @rocadacidade

A série “Personalidade Queijeira – Destaques do Brasil”, do Portal do Queijo, busca apresentar profissionais que contribuem para o fortalecimento e valorização da cultura queijeira nacional.

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